Um dia, Luisa resolveu ser diferente. Em uma noite quente, Luisa arriscou a felicidade. Durante toda sua vida ouviu relatos de aventuras sexuais cheias de prazer e nenhuma preocupação, diante do espelho, ela imaginou que poderia ser uma contadora dessas histórias, muitas vezes, sujas, que começam com algo queimando a garganta e terminam queimando os olhos.
Luisa acendeu um cigarro e analisou Daniel, ele gesticulava enquanto falava sobre futebol, algo que ela, definitivamente, não saberia discutir, tremia os olhos quando sorria e olhava fixamente tentando convencê-la de algo. Convenceu-a.
Daniel pegou nas mãos quase trêmulas de Luisa, e seus lábios tocaram os dela com força. Instantâneamente, Luisa sentiu o peso da dúvida, lembrou-se do beijo doce e calmo de Nando, e de como sua língua quente encaixava com a dela como um quebra-cabeça. Continou.
Daniel era rápido e suas mãos escorregavam pelo pescoço, colo, até chegarem aos seios. Luisa sentia uma sensação de insegurança, algumas memórias vinham como flashes em movimento, e ela, sentia-se arrependida. O copo na mesa suava, o cigarro queimava e aquela imagem a incomodava profundamente. Ela, que nunca tragava até o final, queimou os lábios suavemente com a brasa atingindo o filtro. Sentiu-se perdida.
Outra dose daquela bebida doce descia queimando pela sua garganta, enquanto do outro lado do sofá vermelho, Daniel a observava de um modo que ela não conseguia decifrar. Seus olhos franziam nos cantos e seu sorriso lembrava o sarcasmo de Monalisa, ele mordia a parte inferior dos lábios e repetia pela quinta vez o quanto ela era linda. Rendeu-se.
O beijo de Daniel tornou-se invasivo, e Luisa com os olhos bem fechados, sentia a textura da língua dele que ainda guardava o último gole de cerveja. Lembrou-se novamente de como a língua de Nando amortecia a sua pelo gosto quente de canela. Sentia a pressão do corpo de Daniel mais forte, e sua respiração ofegante entrando quente pela sua boca não a agradava. Respirou fundo.
A luz amarelada sumiu, e em uma questão de segundos, Daniel a despiu. Luisa sabia o que deveria fazer agora, e não era o que ela queria. A pouca convivência com situações incômodas deixou-a sem saída, Daniel aproveitou e domou seu corpo. Um sentimento de ardor não vinha somente da introdução dele em seu corpo, vinha de dentro, chegando aos olhos.
Cada segundo que se passava, Luisa sentia um ardor maior, já não sabia se era do sexo de Daniel que enterrava as mãos em seus quadris, ou se era da ira que sentia em pensar no sexo de Nando, menos habilidoso, um pouco desajeitado, mas que não ardia por dentro.
Faltavam palavras. Logo ela, que nunca ficava sem ter o que dizer, esteve calada por vinte minutos, vinte minutos esses que a fez refletir sobre suas verdadeiras vontades e verdades. No começo, tudo era uma história vazia, cheia de prazer, agora, queimava em seus olhos lágrimas de outro amor.
Daniel inclinou-se com força sob seu corpo, e seu sexo ardia mais que no começo. Um gemido destemido soava como prazer, mas era pura e unicamente dor. Luisa sabia o que deveria fazer agora, e não era o que ela queria. Uniu forças e abraçou Daniel fortemente. O suor do corpo que brilhava saindo dos poros a deixou mais distante, ela nunca percebera o suor do sexo antes.
Luisa fingiu satisfação, pela primeira vez em sua vida, e um vazio tomou conta de todo seu corpo, como se naquele momento, não existisse sequer um coração bombando sangue quente em seu corpo. Isolou-se. Daniel respirava e sorria satisfeito, e ela procurava no escuro do quarto algo que não a fizesse pensar no suor de Daniel pingando em seu corpo.
O depois nunca havia sido tão doloroso e ansioso. Cada minuto que passava, Luisa ainda via Daniel deitado em seu lado e sua ansiedade aumentava para o relógio marcar logo quatro horas. Doia estar ao lado de outra pessoa, doia o alívio de ver Daniel sair pela porta, e nunca mais voltar.
No começo, tudo parecia poder completar, e, no final, era só vazio.
30.8.08
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