Fechei os olhos ao sentir meu peito queimando por dentro, meu coração acelerou e minhas mãos soavam. Prendí a respiração por alguns instantes e, em quase um segundo, me arrependí.
Analisei as palavras, revirei pensamentos e desenterrei as emoções, lá estava eu perdida, mais uma vez. Uma, duas, três, incontáveis vezes que o tempo não foi suficiente. O tempo me fez bem assim como me fez mal.
A ansiedade de querer algo que talvez não seja aquilo que eu espero, os minutos de ira e as horas de sorrisos espontâneos. Talvez eles não sejam suficientes, não mais.
Ficar entre o sim e o não acabando com a minha sobriedade, fazendo de mim alguém pior, alguém que não está contente, alguém que se sente infeliz, alguém que se acha medíocre. Eu não preciso disso.
Eu não preciso, mas mesmo assim isso parece precisar de mim. Me falta ar novamente e minha garganta parece se fechar, meu rosto treme e é inevitável segurar uma lágrima. Uma, duas, três, incontáveis lágrimas que não foram suficientes. Tento me convencer que eu sou forte. Eu costumava ser mais forte.
Aqui estou eu, arrependida, mais uma vez, me fazendo perguntas, e auto-análises incansáveis que não chegam perto de respostas claras, somente me levam a pensamentos absurdos, a atos impulsivos e ao crescimento das minhas dúvidas. Eu não quero mais aguentar.
Eu luto contra os sinais do meu corpo, que clamam por descanso, que em desespero mandam eu parar. Chego a planos absurdos de mudança, a atos desesperados por atenção, a falta de ser quem eu realmente sou. Eu sei ser diferente, eu preciso ser diferente.
Esse labirinto parece não ter saída, o que não me impressiona, já que eu não me lembro como eu entrei dentro dele. Eu olho pra cima e tenho a impressão de ser maior que as paredes, mas eu olho por cimas delas e não enxergo nada. Eu nunca enxerguei muito bem, eu preciso enxergar melhor.
Abrí os olhos e a luz chegou a queimar, essa luz parece incomodar, eu quero apagá-la mas eu estou com medo de ficar no escuro, mais uma vez. O escuro me dá medo, e eu me pergunto por quê eu passo tanto tempo nele. Eu gostava do sol, mas agora... eu não quero que ele apareça... não agora.
