Me segurei mais uma vez. Eu nunca soube dizer um adeus e nunca soube aceitar viver sem a minha ilusão de ser feliz. Eu estava feliz. Meu sorriso nunca foi irreal e meus olhos olhavam de lado, disfarçando meu amor. Tentei me esconder.
Não será hoje o dia de eu dizer que já te esquecí e não estou nem ligando se você for embora. Não é nenhum segredo que eu não sei fazer isso, não é surpresa que eu não te mande viver a sua vida bem longe dos momentos que eu sei que também te fizeram feliz. Eu não vou dizer coisas contrárias.
Minha confusão tornou-se parte de mim, e eu não sei como é viver sem ela. Eu não sei se eu quero viver sem ela. Guardo as lembranças no presente, como algo que me segure a continuar. Talvez eu não deva continuar, simples assim, mas, simplicidade não é algo que faz parte de mim, todo mundo sabe.
Cair na mesma história é quase um final feliz, e não é que eu fique procurando remexer ou colar oque já foi quebrado mas é quase inevitável. Eu conheço essa história e sei que ela não talvez não chegue a lugar nenhum muito longe, mas eu nunca liguei pra isso. Eu não vou mentir pra mim.
Não estou bem certa em afirmar que meu outro lado é oposto, que meu outro lado disfarce tudo, menos o olhar. O outro lado se esconde, sem ao menos tentar, diz ser hoje o último dia, que não está nem aí. Sabe esconder as lembranças como se elas tivessem dissipado com o vento. Esse outro lado vive certo, sem confusão alguma, sabe o que quer, e não acredita no inevitável.
Meu outro lado conhece a confusão, não se dá bem com ela exatamente por se sentir exposto, e ele quer disfarçar. Meu outro lado vive pelo amanhã, pelo o que pode vir a acontecer, pelas consequências. Esse outro lado é frio, disfarça ser sensível, torna-se intocável e egoísta, mas sente por dentro as consequências de evitar.
O meu erro é nunca saber em qual lado acreditar, qual deles faz o certo, qual deles eu escolho pro meu amanhã. Qual deles acredita tanto no amor ao ponto de se jogar ou evitar. Qual deles tem mais perguntas que respostas. Qual deles se sente mais livre sendo preso.
No final no dia, os dois lados são iguais, usam máscaras pra fugir do medo de voar sozinho, e, no fim, tudo acaba confuso e sem nenhuma explicação, e é exatamente assim que eu escolho um amanhã acreditando que nada será perfeito, porque nada é perfeito.
Nenhum lado é certo demais, nenhum deles sabe ao certo oque fazer, só seria mais simples juntar os dois e parar de uma vez por todas com a confusão, e todo o disfarce.
