1.7.08

A arte imita a vida.

Cada um, cada um. Cada indivíduo pensa e age de uma maneira imprevisível aos olhos dos expectadores da vida, mas mesmo um maluco fanático por qualquer coisa se identifica com algum tipo de arte.
Eu diria que filmes são como documentários da vida, com personagens e histórias que evoluem conforme as consequências dos atos. Vira e mexe quando alguém me conta um acontecimento eu lembro de algum filme, e aí eu acabei vendo que minha vida não daria um filme incrível.
Seria uma espécie de Drama com humor com momentos depressivos onde qualquer um poderia dar uma risada e até se identificar absurdamente. Um auto-aprendizado com lances astrológicos e monólogos sobre a vida e como as pessoas são medrosas.
Na realidade, um filme da minha vida não atrairia multidões e muito menos agradaria os cults da vida, porque eu, no final do dia, acabo sendo uma filhinha de papai metida a psicóloga barata que se preocupa demais em agradar pra, também no final, ser agradada.
Meu filme teria um trilha basicamente depressiva com letras profundas e bem trabalhadas, alguns pop's que quase ninguém entende porque eu gosto, e algum rock bem estranho que deixaria o povo com cara de interrogação.
Os personagens seriam incrivelmente comuns e cheios de insegurancas, assim como eu. Eles seriam quase protagonistas porque, basicamente, pessoas que fazem realmente parte da minha vida não são coadjuvantes.
Um filme confuso do tipo que não se encaixa em drama, comédia, aventura... com uma protagonista que não é loira nem morena, que não sabe se está certa ou errada, que não sabe se é feliz ou não, que não tem idéia de como seria um final feliz.
Teria duas amigas que ganhariam o Oscar e que arrancariam suspiros de todo mundo, uma família maluca que muita gente gostaria de ter igual, um amigo imaginário, um computador muito dedicado e algumas histórias comoventes com amigos que não são amigos em vários sentidos.
Contaria com uma história com um final nada feliz, com uma história de novela e outra que não tem pé nem cabeça. Cenas em bares, ruas, ônibus e muitas casas com muitos figurantes que sempre serão somente figurantes, mas que fizeram parte em algum momento da história.
Se meu filme terminasse hoje, de fato, ninguém ia entender o final. Não seria Shakespeariano. Se tivesse um fim, seria um totalmente indigno de fim. Um daqueles finais que você fica com muita raiva de alguém da história, sendo que não é pra ser assim.
Portanto, eu ainda não terminei meu roteiro, e eu vou, à partir de agora, escrever um final feliz digno de Cinderella, porque se a arte imita a vida, por que a vida não pode imitar a arte?